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A mostrar mensagens de Dezembro, 2004

Uma correria sem sentido

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Digam-me lá se isto faz algum sentido. Um ano termina e vem logo outro, coladinho, a querer ocupar-lhe o lugar, quase sobre os restos mortais do anterior, ainda com o corpo a arrefecer?

Tem isto algum jeito?

No minuto seguinte ao término de um ano, inicia-se logo, sem pausas, sem respiração, o ano que se lhe deve seguir. Quanto a dever um seguir o anterior, de acordo. Mas, assim, deselegantemente, sobre a última expiração do ano anterior?

Não acho nada bem.

Então não devia haver uma pausa qualquer, tipo- já que isto tem de se medir em dias, e os dias em semanas, digamos umas duas semanas ou, no mínimo, uns dez diazitos. Bolas, era o mínimo. Por respeito...

E fazia sentido, lá está. Há tantos sapatos velhos para arrumar, roupas para substituir e retirar para fora as velhas, livros que estão fora de uma ordem lógica nas estantes, gente que deve ser visitada- "ao menos uma vez no ano", aliás este "ao menos uma vez e uma vez é melhor do que nada" aplica-se a tanta cois…

Silêncio

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Jozef Stefanka

Saíam uns sons, arrumados, espalmados pelas cordas do seu violoncelo francês. Eram notas afinadas e não sons sem cor alguma. Um choro de música, que lhe saía sem controlo seu. Se se balançava ao ritmo da música de Dvorák, a que tanto gostava de dar vida, ouvia-se outro som, ruído. Rangido de madeira velha. Seca e velha, como ele já se ia sentindo, do desgosto. Tocava só, tão só como aquele choro de Dvorák. Os dois lamentavam-se e iam seguindo juntos. Agora, porém surgia uma outra coisa, um outro ruído. Quase se irritava, mas nem teve tempo, pois já a porta se abria, como se alguma vez se tivesse fechado de verdade. A sombra que, disforme se esticava naquele soalho antigo e gasto era inesperada, porque diminuta. Pelo menos assim lhe parecia, ou era do transe sempre que lhe induzia que interpretava.
Penetrando no silêncio súbito que se fez no seu quarto, uma linda menina de pele branca e cabelo dourado, provocou-lhe um quase calafrio. Não pelo que a rapariga podia repres…

O mundo dos pobres e o mundo liderante

Uma parte do mundo, auto-consagrada como a parte liderante, continua a querer, porque achar dever e porque, de facto, pode determinar a vida na(s) outra(s) parte(s).
Com a devida vénia recomendo este post do Pura Economia, fazendo referência ao blogue Becker-Posner...

...sem mais comentários
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Nem consigo imaginar as horas de dor e enorme vazio, a tremenda solidão, que sentem todos aqueles que, no recente sismo na Ásia perderam ou se perderam de entes queridos, família e amigos.
Calcule-se os sentimentos de pânico de quantos se encontram vivos tentando procurar os seus mais queridos, sem nada saber, muitas vezes tratando-se de filhos menores, perdidos... e isso já é algo, nestas circunstâncias, bem animador, se pensarmos na alternativa... a de não estarem perdidos, e não se saber deles... 

A Cultura de Dietrich Schwanitz

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Faleceu a 22 de Dezembro.

O alemão que publicou um dos grandes sucessos editorial ensaístico na Europa, foi encontrado morto no seu apartamento em Hartheim. Schwanitz alertou a nossa atenção, ou antes a nossa desantenção, para problemas da educação, da cultura, desmistificando-os, ainda que de um ponto de vista fundamentalmente germânico, mas mesmo assim alertando os alemães, mais do que todos os outros, para os nossos preconceitos e complexos, tanto como a nossa ignorância...

Numa obra informativa, pedagógica, eloquente- Cultura, tudo o que é preciso saber (Bilgdung, was man wissen muss), Schwanitz oferece.nos uma longa mas não fastidiosa viagem pela Cultura Ocidental, desde a Grécia Antiga aos nossos dias.

Um livro inteligentemente escrito, com um título que nos deixa ou intrigados ou nos transmite uma ideia enganadora das inteções do seu autor.

Recomendável!

Mais contos para este Natal

Li alguns contos, e contos dentro de contos...

Como este e este da Vieira do Mar. Como sempre imperdível!

E ainda este, original, do Espumante.

À falta de inspiração... recomendo quem é melhor do que eu.

Mais 'Feliz Natal'

O Natal é um conto de encantar

Sempre gostei de contos de Natal. Pelo Natal. Gostei, nesta fase de infância muito tardia, particularmente, das delícias que este, saído do Guarda-Factos me proporcionou.
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Da minha janela podia ver, ao fim da tarde, uma rua deserta e fria recuando da sua actividade frenética habitual, perante o avanço de uma noite que se adivinhava ainda mais gélida.

Atrás das nuas e dormentes árvores podia admirar, lá ao fundo uma mancha de sol que se refastelava, por efémeros minutos sobre a torre da igreja, dando-lhe mais motivos para se envaidecer da sua reconhecida beleza.

O tempo parecia que parava à espera...

À espera do tempo da paragem anual. Do Natal.

Tudo parecia, ali, longe do rebuliço das lojas e centros comerciais, parar... suspender-se, como se não houvesse que fazer nada mais, senão esperar.

Momentos de paragem e de nostalgia. Tudo parado para nos dar tempo de recordar. Outros tempos. De há muitos anos. Em que o Natal era de ansiedade e expectativa, pelo dia de todas as alegrias. Pelas prendas, pelos dias em família, no quente e protector espaço do lar.

Aquela luz alaranjada sobre a torre lá ao fundo deu-me vontade de parar, também. De regressar a casa, a um e…
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É Natal! É outra vez Natal. Para mim e para muitos "cotas", desde o Natal "de há dias", o de 2003 e este tudo se passou como se alguém puxasse pelo tempo, porque este tempo não é, não tem sido dos melhores. Mas para as crianças, se todos nos lembrarmos de quando éramos pequeninos, o tempo é de outra relatividade. Não voa ainda. Até, por vezes, lhes custa a passar. Quando não estão ocupados, suficientemente. Agora, por estes dias, ainda mais lhes custa a passar. A uns porque nunca mais parece chegarem as férias. A outros, mais pequeninos, porque o tempo da grande festa, de estar em casa, em família, com todas as tradições deste tempo, as doçarias, as visitas anuais de amigos e família e, claro as músicas de Natal! É deste Natal musical que vinha falar. Mas, muito melhor do que falar é ouvi-la. E, sendo suspeito, por ter ligações ao projecto, venho propor-çhes um excelente e mágico concerto no Teatro São Luiz, no próximo Domingo, dezanove. Mesmo a tempo! De ouvir e d…

O tal 'rapazinho'

O (grande, dizem... ahaha) tribuno, que não tendo nada de próximo com o da antiga Grécia, excepto no nome, disse: “...Santana e Portas não fizeram um casamento. É meramente uma união de facto...” ...ou de como se, não se tem telhados de vidro, arranja-se...

Ele que espere... hão-de falar dele. Até já me vêm as lágrimas, entre a tristeza que nos espera com tal 'tribuno' e o que se prepara para fazer ao país.

Como dizia Sampaio? Que o país não pode esperar mais? Não se aguenta mais?
Pois... então deêm-lhe um Sócrates... Triste país! (isto é plágio, eu sei), tristes de nós.

Lá vamos a entrar no tunel... por muiiiiiito tempo. Demasiado. A não ser que o PR dissolva o próximo Governo, se for Socialista, usando dos mesmos critérios que agora usou... Isto é, dissolver Governos incompetentes!

A vida num tunel imenso... terá fim o tunel?

Finalmente Sampaio explicou-se. Pensa ele, do alto da sua arrogância, que ‘aquilo’ foi uma explicação. Não disse nada de novo, nada que não se adivinhasse, vindo de um socialista, que nunca abandonou os seus complexos políticos.

No seu tom grave (ou seria mais, arrogante?) habitual, tentou demonstrar que toda esta crise política foi da responsabilidade do Governo.

No tocante ao estilo de Santana Lopes, não me é nada difícil aceitar a argumentação do todo-poderoso-supostamente-imparcial Sampaio. De facto, todos estamos fartos, e eu pelo menos, substancialmente saturado, das trapalhadas e imaturidades do PSL.

Mas... é tudo tão convenientemente oportuno. O PS mudou de liderança (tem-na tido ultimamente? Vai ter agora, com este 'menino'?)
Falou-se tantas vezes de crise, aliás, falou a oposição, fazendo, obviamente o seu papel (legítimo?) de dizer mal, por lhe apetecer, por ter perdido tachos (e foram muitos...mas agora já se preparam para os recuperar...veremos)
Onde está a crise? O…

Exportem-me!

Por hora, o solo nacional é escarrado, talvez, umas (é mesmo a atirar para o ar um valor, de facto) duas a três milhões de vezes? Das instalações sanitárias, públicas e privadas, devem sair, por hora uns outros milhões de homens (e mulheres também?) sem lavar as mãozitas, como a mamã havia ensinado. É lindo! Além de ser muito português...esta coisa de, depois de ter andado com os dedinhos na coisa, dar, por exemplo a mão a outra pessoa, logo à saída do WC, ou atender o telefone, ou ir almoçar, porque não?
Noutro local, ou melhor em milhares deles, por esse país fora, uns tantos tapetes, decorações de Natal e até, why not, lâmpadas são surripiadas das portas de apartamentos, mesmo que os edifícios tenham segurança- o que, aliás, ainda abona mais a favor dessa habilidade tipicamente portuguesa. E assim se conseguem mais uns cêntimos, ou Euros (uns cinco ou seis por dia, que êxtase!).
Melhor do que tudo isto, por mais profissional, umas dezenas de milhar de riscos, feitos de improviso (…